julho 26, 2004

MST 20 ANOS: ALGUÉM TEM QUE NOTICIAR

A grande mídia ignorou por completo que o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) está completando vinte anos em 2004.

Aliás, só sai alguma notícia envolvendo o MST quando há conflito com a polícia ou sai alguma morte.

A imagem dessa organização séria, honesta e firme em seus propósitos, portanto, vem sendo sistematicamente manchada, de forma distorcida e preconceitusosa, colocando a opinião pública contra só de ouvir a expressão "sem-terra".

Como nós não somos "grande imprensa", podemos livremente homenagear essa entidade em seu vigésimo aniversário e por ocasião da passagem do "Dia do Agricultor" (25 de julho), também ignorado em todo lugar.

O mínimo que podemos fazer, então, é reproduzir neste espaço as palavras da própria organização a respeito de si. Por favor, antes de ler, dispa-se de todos os seus preconceitos e esqueça o que dizem do MST por aí. Se fosse o que dizem que é, não duraria duas décadas.


1984 - 2004: MST 20 anos de lutas, conquistas e dignidade!

Vinte anos se passaram desde que 80 representantes de organizações camponesas reunidos num galpão de uma igreja em Cascavél- PR fundaram um movimento nacional de luta pela terra: o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

Era o primeiro Encontro Nacional de camponeses que lutavam pela terra e viam a necessidade de articular e organizar em nível nacional os diversos processos de luta localizados. O encontro consolidava a experiência de diversos estados e serviu para orientar a linha ideológica e definir a concepção do Movimento como uma organização autônoma dos trabalhadores rurais.

O MST não só sobreviveu, como está crescendo a cada ano expandindo sua lutas e conquistas. Dando continuidade a um processo histórico de lutas populares e criando uma organização social sustentada na ligação direta com a realidade e norteada pela prática política dos seus princípios organizativos (como a direção coletiva, a disciplina, a vinculação com a base e o estudo).

Assim, durante sua trajetória, o Movimento que começou com uma luta dos trabalhadores rurais pela terra, percebeu que não basta democratizar a terra, é preciso resgatar a dignidade do camponês. Democratizar o capital, organizando as agroindústrias de forma cooperativada nas mãos dos agricultores. É preciso democratizar a educação como uma forma de levar a cidadania para a população do campo. Estas são as lutas e as conquistas do MST.

Existem mais de 500 associações de produção, comercialização e serviços; 49 Cooperativas de Produção Agropecuária (CPA), com 2299 famílias associadas; 32 Cooperativas de Prestação de Serviços com 11174 sócios diretos; duas Cooperativas Regionais de Comercialização e três Cooperativas de Crédito com 6521 associados.

São 96 pequenas e médias agroindústrias que processam frutas, hortaliças, leite e derivados, grãos, café, carnes e doces, além de diversos artesanatos. Tais empreendimenos econômicos do MST geram emprego, renda e impostos beneficiando indiretamente cerca de 700 pequenos municípios do interior do Brasil.

Aliada à produção está a educação: cerca de 160 mil crianças estudam no Ensino Fundamental nas 1800 escolas públicas dos acampamentos e assentamentos. O setor de educação atua ainda na educação infantil (de 0 a 6 anos), contando hoje com aproximadamente 500 educadores/as. O MST desenvolve um programa de alfabetização de aproximadamente 30 mil jovens e adultos, 750 militantes do MST estudam em cursos universitários. Desses, 58 cursam medicina em Cuba.

A luta do MST pelas trasnformações sociais recebe apoio de inúmeros setores. Mais de 200 prêmios foram dedicados ao Movimento nestes 20 anos e a reforma agrária se tornou um tema conhecido e de grande importância na pauta da sociedade.

O MST sempre soube que a Reforma Agrária só avançaria com a luta de massas. Assim, as ocupações aumentam a cada ano. Esta estratégia de luta se consolidou como uma forma legítima, concreta e contundente de enfrentamento que exige solução e gera unidade entre os sem terra.

Hoje, o Movimento conta com cerca de 350 mil famílias assentadas e aproximadamente 160 mil vivem em acampamentos. Considerando que a média da família brasileira é de quatro pessoas, os militantes do MST chegam a quase dois milhões de pessoas.

Os assentamentos se tornam áreas libertas, conquistadas pelos trabalhadores e um exemplo para a continuídade da luta. Nos quase cinco mil assentamentos do MST nenhuma criança passa fome nem está fora da escola.

Texto extraído do site www.mst.org.br